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O amor sem pausas

por amorlíquido, em 03.06.20

O amor. Gosto dele, mas não de uma forma qualquer. Gosto de amores artistas, irónicos e antíteses na sua essência. Amores com cheiro entre terra molhada e maresia primaveril. Não gosto de amores extremistas. Gosto de amores humildes. Amores de pé descalço na areia, amores com cor de jacarandá a despontar na liberdade. Pois é, gostos de amores sem idade. Amores que se definem na sua maturidade. Gosto de amores vividos a todos os tempos, num crescendo de mil e uma vontades. Ai se gosto! Gosto mesmo! Gosto tanto, de amores com sabor a pão torrado com manteiga, amores com a mesma esperança de um pôr do sol que se despede no reflexo de um gin por beber. Gosto de amores que se demoram. Gosto de amores de esplanada. Não gosto de amores de discotecas, ávidos de uma única intenção. Não gosto de amores escondidos nem desconhecidos. Não gosto de amores que andam de comboio, que esperam outras horas, tentam novas carruagens, em carris que os levam ao mesmo destino de sempre. Não gosto de amores de sexta-feira, na pressa de ter de qualquer maneira. Não, gosto de amores que duram a semana inteira. Amores que andam a pé, que se perdem nos cruzamentos da cidade, nas construções feitas de granito. Gosto de amores que sabem o padrão da calçada. Amores sem mapa. Que se entregam à aventura, amores que pensam "planear para quê?". Não gosto de amores do "amanhã logo se vê". Gosto de amores que se olham envergonhadamente ainda o sol está por nascer. Gosto de amores que se abraçam numa tarde de tempestade. E de amores que se confortam à luz da lareira acesa. Gosto de amores complexos mas que não complicam. Gosto de amores que invertem os minutos do dia. Amores que conversam toda a noite. Amores que mantêm o beijo apesar do verão perdido. Amores que culminam a entrega na fusão entre duas verdades. Não gosto de amores que saltam etapas, que esperam ter sem nunca dar. Amores que se mascaram para impressionar. Desses não gosto. Gosto do amor. E de amor. Com múltiplas formas, em todas fases da lua. Ah! Esqueci-me! Não gosto de amores indecisos nem de amores que se despedem antes do laço. Gosto de amores que se conhecem à beira-mar. Que na força das ondas, sabem onde insistir e aonde não voltar. Gosto de amores assim. Dos que vivem tão dentro como fora de mim. Não gosto de amores utópicos. Mas gosto de amores com saudade do que nunca tiveram. O amor. Gosto dele contraditório. Ao contrário. Amo amor poético. Não vos contei ... lembrei-me, por falar em saudade, gosto do amor que multiplica quem se percebe só metade. 

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3 comentários

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cheia a 03.06.2020

o amor não tem horas, nem muros, nem datas marcadas.

Boa noite
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Ana de Deus a 15.06.2020

espero que os teus dias estejam a ser plenos de amores
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amorlíquido a 17.06.2020

Obrigada pelo carinho, Ana. Espero que os seus também

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