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Dilemas morais #1

por amorlíquido, em 07.04.20

Sou fã de dilemas! Qualquer que seja a sua natureza. Éticos, morais, económicos, políticos. Desde que me façam pensar. Por isso, decidi criar uma coluna aqui no blog, onde todas as semanas irei partilhar um dilema diferente. A vocês cabe a responsabilidade de refletir sobre ele e, se quiserem, de responder de que forma agiriam.

Relembro que não há respostas certas nem erradas. Cada um, com base nos seus valores, crenças, princípios e filosofias, encontrará a solução que melhor coincidir com os mesmos. Que me dizem? Alinham?

O dilema desta semana, muito utilizado na psicologia, provém dos níveis de desenvolvimento moral propostos por Kohlberg, procurando, através das respostas obtidas, compreender a que estágio as pessoas pertencem (ou no qual se encontram no momento, uma vez não ser algo estanque).

Se quiserem ter mais informações sobre este dilema, nomeadamente uma descrição mais detalhada sobre cada um dos três nível e os respetivos estágios nos quais os primeiros se subdividem, deixo aqui o link para tal: Lawrence Kohlberg

 

O Dilema de Heinz (Kohlberg, 1984)

 "Numa cidade da Europa, uma mulher estava a morrer de cancro. Um medicamento descoberto recentemente por um farmacêutico dessa cidade podia salvar-lhe a vida. A descoberta desse medicamento tinha custado muito dinheiro ao farmacêutico, que agora pedia dez vezes mais por uma pequena porção desse remédio. Henrique (Heinz), o marido da mulher que estava a morrer, foi ter com as pessoas suas conhecidas para lhe emprestarem o dinheiro e, assim, poder comprar o medicamento. Apenas conseguiu juntar metade do dinheiro pedido pelo farmacêutico. Foi ter, então, com ele, contou-lhe que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe para lhe vender o medicamento mais barato. Em alternativa, pediu-lhe para o deixar levar o medicamento, pagando mais tarde a metade do dinheiro que ainda lhe faltava. O farmacêutico respondeu que não, que tinha descoberto o medicamento e que queria ganhar dinheiro com a sua descoberta. O Henrique, que tinha feito tudo ao seu alcance para comprar o medicamento, ficou desesperado e estava a pensar assaltar a farmácia e roubar o medicamento para a sua mulher."

 

1. Deve ou não Henrique assaltar a farmácia e roubar o medicamento? Porquê?

2. Se a pessoa que estivesse a morrer não fosse a mulher, mas um desconhecido, deveria ou não Henrique roubar o medicamento? Porquê?

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1 comentário

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Rita PN a 07.04.2020

Em primeiro lugar quero felicitar esta rubrica. Fazer pensar é tão importante quanto pensar. Obrigado por isso.
Em segundo lugar, sou mesmo cabecinha pensadora, porque antes de ver as opções que nos deixa, na minha cabeça já tinha criado uma terceira, que é a única que me faria sentido, tendo em conta os meus princípios e valores. Seria então, a auto-reflexão por parte do farmaceutico a respeito da sua própria descoberta e sobre o propósito da mesma. Se numa primeira fase o farmaceutico afirmou que "tinha descoberto o medicamento e que queria ganhar dinheiro com a sua descoberta", numa segunda fase, após mergulha em si, percebeu que embora a sua descoberta fosse incrível, a mesma só se revelaria de sucesso mediante o número de pacientes que se crassem ou melhorassem através dela. Para isso seria necessário que os doentes tivessem acesso ao medicamento, o que talvez implicasse reduzir o custo. Desta forma, não só venderia mais, como o retorno seria maior. Porque quando se trata de salvar vidas, o valor do reotrno económico nunca supera o espiritual.

Tendo que escolher uma das duas opçoes apresentadas, escolheria a segunda, justificando-a com o velho ditado "fazer o bem sem olhar a quem".

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