urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquidoAmor LíquidoPalavras. Pensamentos. Desabafos. Em prosa ou em poesia. Com a voz de um amor que se tornou líquido.LiveJournal / SAPO Blogsamorlíquido2020-12-22T10:13:39Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:259602020-12-22T10:09:00O último post de 20202020-12-22T10:13:39Z2020-12-22T10:13:39Z<p><em>- A verdade está para o tempo como o sofrimento para a superação. Não há mentiras que sejam eternas nem glórias que não façam doer o coração -</em></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 540px; padding: 10px 10px;" title="6194F830-70B2-4081-B2A2-ECE57746CC98.jpeg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb917c68a/21978753_L70sd.jpeg" alt="6194F830-70B2-4081-B2A2-ECE57746CC98.jpeg" width="540" height="720" /></p>
<p>(A todos os que me vão lendo, aos que eu leio, e à família cuja partilha e inspiração são constantes, um Feliz Natal 🎄 e um ano de 2021 sem o desalento do presente. Que o medo vá e o futuro traga a esperança para seguir em frente!) </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:249572020-12-06T11:55:00(Título em Branco)2020-12-06T11:57:22Z2020-12-06T12:02:40Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">A vida. Essa dimensão que balanceia entre a magia que vai além do palpável e aquilo que somente existe através de nós.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">O antagonismo que sobressai quando a pertença tida como inquestionável e duradoura, troca os pronomes possessivos pelo desvanecer num tempo imperfeito. A tenuidade do que sempre foi julgado como presente, desfeito pela imprevisibilidade que teimamos ignorar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">E então, tudo parece demasiado. Demasiado cedo. Demasiado injusto. Demasiado. Vive-se com insuficiência e atribui-se a efemeridade ao que nos surge como ilógico, inconcebível, inacreditável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Damos em demasia ao que nos trapaceia, desconcerta ou ultrapassa. Demasiada importância, demasiado valor. Demasiado. A perplexidade consome-nos quando mais precisamos e, em nada, ela nos retribui. A vida. Perante ela não somos nada e é isso tudo o que temos. O hoje. Uma pele que se funde com a nossa essência e é na permanência que nos distrai. Da importância e da urgência dos atos que adiamos. Dos sonhos que não seguimos. Dos que amamos sem demonstrar. Do que queremos dizer mas insistimos em esperar. Porque o amanhã virá. Sempre. Um futuro que não é posto em causa, tal como o sol nunca se esquecerá de aparecer. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Até ao dia em que a certeza desmorona e a lua vive duas vezes. E tudo quanto o respetivo lugar nos era familiar, cai no abismo da escuridão, do medo, da descrença, do ser alheio a qualquer vontade. O caminho entorta, o horizonte desfigura-se e o propósito morre com a luz que se esqueceu de voltar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">O significado adoece na eternidade e a unidade que fazia adornar o rosto com o sorriso mais sincero, encolhe-se num abraço de desistência. Demasiado compreensível. Demasiado legítima. Tudo em demasia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Morre-se antes de se morrer e essa é a pior morte. A de estar lúcido e não conseguir senão sobreviver.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:245202020-12-02T19:22:00A um mês de 20212020-12-02T19:23:02Z2020-12-02T19:23:02Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 720px; padding: 10px 10px;" title="0373AFD6-A2E9-462D-8844-CB2AC1BA92B4.jpeg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5818ad8b/21964882_q4Knc.jpeg" alt="0373AFD6-A2E9-462D-8844-CB2AC1BA92B4.jpeg" width="720" height="720" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:238482020-11-17T10:15:00Contraluz2020-11-17T11:15:01Z2020-11-17T11:15:01Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">O sol mal acabara de nascer num ímpeto de protagonismo ainda pouco amadurecido. Talvez escondido pela vastidão do ultrapassável, cuja acumulação tornara míope o vislumbre da realidade. Entre ele e o mundo outro permanecia uma transparência embaciada, fruto da precipitação do dia anterior. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">Sobre a mesa redonda, entre pensamentos pouco escritos, sentia-se o aroma torrado de um café acabado de fazer. O arrependimento engolido em seco, de pálpebras trémulas que tingiam os papéis em branco, tornara urgente a expulsão do que acorrentava o peito. Ao passado pouco vivido. Ao presente por viver. E, sem querer, ao rasgar a pele desiludida, a luz do verão apareceu. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">As flores falecidas por dentro derramaram o sangue deprimido de um corpo sem norte. Aliviado por respirar nas pausas do tempo, crescido das suturas que o protegeram da morte. Sob a madeira velha que rangia, a ansiedade mostrava-se num ritmo descompassado. Pela incerteza de um destino só. Pelo medo de escolher o fim ao qual não se pertence. Ele, fundido ao que não volta, aguardava que o futuro lhe trouxesse a sorte. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">Numa chuva interrompida por soluços do vento, o lápis tremia em rabiscos feitos à pressa, com palavras soltas guardiãs do que mais revolta. Porque era seu e foi perdido. Porque se entregou e foi esquecido. Mas no esquecimento sempre habitou o antónimo de amar. Entre a ausência e a possessão talvez exista o tempo de fugir dessa prisão. Que em contraluz a favor do luar, as lágrimas correm para o desaparecimento. Do que parou os minutos da mente, do que travou corações para sempre. E quando o dia próximo for seu, sobreposto ao hoje que estará por viver, quem sabe se o calor do café não será bebido sem não mais doer. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:235072020-10-29T10:18:00Até quando?2020-10-29T11:13:46Z2020-10-29T11:14:24Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Vinte décadas cumpridas de um novo milénio, numa viagem que perdeu pelo caminho tanto do que nos torna humanos. A cooperação que outrora nos foi útil à sobrevivência, deu lugar à busca incansável por um elo mais fraco. Uma luta quase constante na qual a felicidade alheia, a muitos desconforta. Porquê?</span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Se a História nos ilumina acerca dos erros do passado, a educação deveria, hoje mesmo, alertar para a importância do futuro e de tudo o que ele acarreta. O tempo passa, as sociedades amplificam-se e a cultura influencia aquilo que os valores deveriam fazer evoluir. Mas onde nos perdemos nesta progressão?</span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Os "likes" estão agora à distância de um clique, embora os princípios ainda subjazam numa crença não ultrapassada do machismo e de um patriarcado muito questionável. Da gente que se teima arrumar em gavetas incolores porque a distinção mata. Os que encaixam e, todos os outros, que só em mentes pouco resolvidas em lado nenhum fazem parte. </span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Em que altura se esqueceu a tolerância e a compaixão? O mundo continua a parar para discutir não-assuntos. Não porque sejam irrelevantes, senão porque a desvalorização não deveria existir à partida. A etnia, a origem, as questões de género, a violência sexual. Onde foi que se aprendeu a denegrir e agredir tudo e todos os que se desviam do padrão por ninguém instituído? Quem ensinou que a heterossexualidade é a face certa da moeda e, portanto, as demais orientações podem e devem ser ostracizadas? Onde se leu a falácia de que o romance serve, única e exclusivamente, o interesse da procriação?</span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Afinal, que epidemia deteriorou a coragem para destoar do normativo, em prol do respeito e da aceitação? Assusta-me que a pretensão de julgar o outro amadureça muito antes da capacidade que temos para gostar de nós. </span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Uma temática que cruza quaisquer fronteiras geográficas, porém aqui, neste retângulo que se autoproclama como democrático, a liberdade continua a ser interrompida quando algo diverge da uniformidade. Defendemos querer avançar, todavia continuamos acoplados a ideologias, não pelo conteúdo que as move, senão como uma jura partidária de um clube ao qual se deve pertencer até ao instante último anterior a qualquer morte. Até quando?</span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">A quantos mais movimentos #metoo ou #blacklivesmatter iremos assistir? Quantas mais vezes a raça será um dos tópicos cuja necessidade de abordagem é tamanha que não escapa ao confronto político num debate presidencial de uma das maiores potências mundiais? Até quando irão as comunidades LGBTQI+ ser menosprezadas nos direitos pelos quais se vêem obrigadas a manifestar? Por mais quanto tempo irão as mulheres ser vítimas de assédio, importunação ou qualquer tipo de injúria de índole sexual? E até quando serão julgadas pela indumentária que envergavam quando situações destas acontecem? Quantas mais vezes se irá questionar um "não"? Não importa o minuto em que foi proferido, nem ninguém precisa de saber o que sucedeu previamente. Foi dito em algum instante? Sim? Então é não. Parou ali. Ponto final. Argumentos que dêem a entender o atiçar de pulsões incontroláveis não justificam atos que violem o direito de consentimento, seja em que circunstância for. </span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Vamos recuar um pouco. Desde que me conheço que sempre ouvi a lengalenga de que se um homem seduz e se mostra disponível, então é um garanhão, mas uma mulher nos mesmos preparos é, NO MÍNIMO, uma oferecida. Que tem ele a mais que ela? Nada. Nem ela a mais que ele. São iguais nos deveres e nos direitos também. A emancipação das mulheres não deve ser nunca vista como sinónimo de libertinagem, senão como aquele murro firme na mesa ou como aquela atriz que interpreta à luz dos holofotes. Foram demasiados os anos na penumbra, no assento da ingrata humilhação sob alçada de um argumento demasiado pobre: "porque és mulher". </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Porque és mulher. Porque és preto. Porque és gay </span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Durante muito tempo o medo calou vozes, adiou sonhos e silenciou certezas de um amanhã melhor. Tarde nos apercebemos da multidão que chorava em uníssono, calados numa sombra da qual ninguém queria saber. Mas se até a noite faz o dia nascer, certo será que não há escuridão que se eternize. </span><br /><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Porquê este texto? Um desabafo. Pela revolta que me alimenta a raiva, tão simultaneamente como a impotência sentida perante profunda incompreensão. Pelo desejo, talvez utópico, de que os valores, os princípios, o caráter, acompanhem as revoluções tecnológicas, as sociedades liberais e as educações inclusivas, em vez de ficarem presos nas faíscas que, infelizmente, ainda saltam da fogueira dos Neandertais. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:226072020-10-21T11:34:00Pensamentos diários #72020-10-21T10:38:54Z2020-10-21T10:39:52Z<p style="text-align: center;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;"><em><img style="width: 32px; height: 32px;" src="https://blogs.sapo.pt/tinymce4/plugins/sapoemoticons/img/SHOW_2020_ONLINE.png" width="32" height="32" />E se a vida não trouxer? E se o tempo não levar?</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;"><em>Mas e se a tristeza doer? Ou o amor não nos encontrar? </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;"><em>Afinal, quando vamos aprender a sentir em vez de morrermos a tentar?</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:220392020-10-20T11:19:00"Não é a distância que mede o afastamento"2020-10-20T11:33:21Z2020-10-20T11:33:21Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 568px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1000-6-3.jpeg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6a1855e4/21931432_ls9cz.jpeg" alt="1000-6-3.jpeg" width="960" height="384" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Há uns dias, quando me cruzei com esta fotografia tirada num lar em Espanha, o polegar, com a pressa de seguir viagem, recuou na curiosidade do que o olhar havia captado. E nesse breve instante, antes que o medo fizesse transbordar as feridas retalhadas, houve espaço para a reflexão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Um mundo que se antevê dividir-se em dois momentos não mais indistinguíveis, onde habita o tempo do abraço sem as divisas urgentes à proteção? Em que lugar desta história se deixará perder o cheiro da pele ou a fusão de demais vontades? O poder assustador que emerge da falsa proximidade, entre amores que, apesar do beijo, continuam distantes. Porque falta tudo o que se mantém humano. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Vestiram-se as fronteiras da sensibilidade, transpareceram-se opostos que refletem a incerteza de sentir esperança e, no abismo entre o que resta do que é só nosso e o que pertence ao outro apenas, mascara-se o ímpeto da união. Fecham-se as portas da partilha, as janelas dos não-segredos. Sente-se por dentro o que deixou de existir por fora, na imaginação do que ainda ontem era presente. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Que o futuro nos solte as amarras do que soubemos estar longínquo e que a dificuldade que atravessamos nos faça ver para além das barreiras, agora, necessárias. Que a incógnita do amanhã nos ensine, hoje mesmo, a importância da presença inadiável, a emergência de palavras cantadas em sussurro. Frente a frente, sem écrans, sem personalidades enevoadas, sem intenções mal direcionadas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Talvez o amor se isole de vez. Da ausência, da não transparência. E os que careçam da sua pujança, serão os primeiros a falecer. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:217142020-10-14T09:15:00Ouvi dizer que algures existe 2020-10-14T08:36:26Z2020-10-14T08:39:21Z<p>O horizonte. Numa sobreposição de instâncias que diverge do ponto onde pensamos ter de chegar. A imensidão entre lugares desconhecidos, à primeira vista opostos, imersos num ciclo onde a renovação é certeza de mudança. <br />A geometria do que nos rodeia pouco importa no ciclo que se impõe repetir, porque o erro não está em julgar distante o que da percepção se afasta, senão em acreditar impossível o que vive mesmo debaixo dos nossos pés. São linhas múltiplas numa imaginação coletiva que trapaceia todas as vontades.</p>
<p>Onde tu estás, ninguém desconfia. Assobiam-se rótulos com o mesmo descaramento com que se guardam os egos num novelo emaranhado. Descobertos com o ímpeto de marcar presença no pódio, esquecendo a magia que só existe quando crescemos depois de não ganhar. <br />Onde eu estou, somente esta matéria sabe os segredos. A que me contém e que transborda para além de mim. A que te procura e a que foge de ti. <br /><br />Sapatos todos usamos. A sola do nosso corpo aquece nas vitórias e ferve com a amargura das derrotas. Mas o teto que eles pisam, nesse caminho cuja marca esmorece aquando da passagem, esse é único. É o nosso chão, o nosso destino. A nossa cruz. Sempre soube isso, mas só há pouco tempo percebi na metamorfose que o mesmo assume na natureza. Não se prolifera, não se reproduz. Apenas morre e muito antes de nos sentirmos partir. <br /><br /></p>
<p>Afinal o horizonte é uma curiosa efemeridade que habita fora do que somos, alimentando-se do que tentamos assumir. E por muito longínquo que o vejamos, sempre verei o outro mais perto desse alcance, sem saber que aos olhos de alguém deambulo também sobre essa retilineidade. <br /><span style="font-size: 14pt;">No fim, estamos igualmente próximos ou igualmente apartados. Quando soubermos o lugar de onde emerge, abriremos o peito e guardaremos o vazio que é sem nos pertencer. A ambos. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:209972020-10-06T09:52:00Gente sem nome2020-10-06T09:37:15Z2020-10-06T09:40:03Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Sou das que acredita no tempo. Na sua passagem e nos seus valiosos silêncios. Sempre fui amante de calmarias, da esperança que vive espelhada na agitação de um reflexo. Esse, que flui entre simetrias do que devolve. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Há quem se entregue numa fusão irreversível. E da unidade criada algum dia, fogem os medos do desaconchego e da certeza de que a liberdade nos corrompe, numa clausura cujos limites tocam a inexistência e o espaço que se abre no vazio guarda tudo o que nunca chegámos a querer. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Assim se vive. À deriva do que maltratamos, inseguros com as mágoas do futuro porque, às do passado, não as soubemos falar. De dentro para fora, ao que pertence a um mundo que não aquele que se abriga em nós. A viagem segue a sua hipócrita continuidade, em caminhos encruzilhados de destino incógnito. Pisam-se almas parceiras, mentes guerreiras, numa luta egoísta onde o respeito falece no instante em que percebemos a oportunidade de prevalecer. As pernas musculadas avançam num corpo tricolor onde, seguramente, o coração perdeu a sua vivacidade. A frieza despe a bondade e o altruísmo abandona a conquista dos ascendentes. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Mas, sou das que acredita no tempo. Que nem sempre o vento é prelúdio de tempestade. O frenesim da substância alheia balança em arquiteturas frágeis, quase sempre estilos barrocos que se autoproclamam Art Déco. Tantos são os momentos de loucura que a essência sísmica de cada um estremece o que ousamos fazer intocável. Todos. Do seu modo. Com uma subtileza intervalar ou um desaforo constante. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">E assim vamos vivendo. Escondidos dos que se escondem de nós. Tu e eu. A verdade. A simplicidade em tudo o que a semelhança nos aproxima. E os outros, eu e tu, vagueamos imersos numa esfera autocentrada. Ironias. Focamo-nos no espelho que nos pertence, não para valorizar as singularidades que encontramos, senão apenas para nos julgarmos pelas ausências do que os infinitos reflexos têm diferente de nós. Se a menos, ostracizamos. Se a mais, invejamos. Numa ovação cínica que irrita a pele da abnegação. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 12pt;">Os anos passam e é esta a peça de teatro onde nos destacamos. Nem todos o alcançam, mas aos que logram chegar ao patamar do ser-se na primeira pessoa, deixando para trás a pluralidade das personagens que tentam, todos os dias, encarnar, o tempo chega, quase sempre, tarde demais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:206152020-09-22T09:54:00Faz o que eu digo, mas ...2020-09-22T09:00:30Z2020-09-22T09:00:30Z<p><em>Utilize a força com que veste os outros do seu preconceito </em></p>
<p><em>para se despir da sua não-verdade </em></p>
<p><em>e lembre-se</em></p>
<p><em>de nada vale julgar quem tem os botões descosidos </em></p>
<p><em>quando tantas vezes andamos com os atacadores desapertados.</em></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:200452020-09-19T14:04:00All you need is love2020-09-19T13:07:53Z2020-09-19T13:11:39Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif;">Dois séculos num século apenas. O antes e o depois de um tempo interrompido. Para nós, gente que sente, sem que nenhuma pausa se impusesse no todo que julgamos nosso, tão finito quanto imperfeito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif;">Duas metades de uma só história ainda presente. Antes e depois de uma guerra na qual todos somos guerreiros, contra um inimigo que não se vê.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif;">Um hiato na celeridade que incutíamos aos nossos dias, sem abrandar o ritmo frenético de uma mente e corpo cansados, com medo de que qualquer atraso colocasse em dúvida o sentido desta existência. Nesse fosso entre terra pouco firme e a certeza da constância de um abismo, à ausência do outro trocámo-la pela ponte com a lua cheia. À noite outrora indiferente pelo receio de fragilidades desmascaradas, fizemos do sol o holofote do palco onde sempre nos movemos, recusando a frieza e insegurança de que qualquer soldado também sempre fará parte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif;">Até que o mundo parou sem que a materialidade que tentamos atribuir ao tempo ficasse suspensa num grito mudo sobre a impossibilidade de um “amanhã logo se vê”. E enquanto esta orgânica sobranceria se prolongou entre paredes repetidamente confidentes, as taquicardias de uma natureza doente conheceram o embrandecer da cadência essa que, não pertencendo, nos mantém vivos. Sóbrios, porém distantes. De proteger o que nos dá chão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif;">A distância. Uma dimensão entre dois polos que divergem do vazio que o caminho cria, em direções opostas, mesmo que o espaço do estar permaneça constante. O presumidamente insubstituível viu-se em monólogos com lugares até então desconhecidos, e o pouco valor ao alimento da alma, tantas vezes despido e abandonado, matou-nos a fome durante meses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif;">Desta segunda metade sobra-nos a prepotência disfarçada de ignorância, a consciência de que as diferenças de classe mantêm à tona a igualdade que nenhuma fortuna será capaz de diferenciar. Resta-nos a certeza de que o conhecimento nos aproxima da verdade, que há informação que nos oferece rasteiras à tentativa do seu encontro. Ficamos com a convicção do pouco que ocupamos para o tanto que continua a ser preocupação, e do muito que somos para os nossos de coração. Façam-se disrupções silenciosas ou torne-se sangue o descontentamento que dentro nos afervora. Guardamos, sim, a crença de que embora o amor nos embriague e tantas vezes nos despiste em aventuras “para lado nenhum”, será sempre o antídoto da angústia alheia e a vacina contra a vontade, por vezes própria, do finalmente deixar de ser.</span></p>
<p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Q6FqZeXxXhQ?feature=oembed" width=" 480" height="270" frameborder="0" style="width: 640px; padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="sapomedia videos"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:195622020-07-06T11:34:00Isto é um até já2020-07-06T11:01:32Z2020-07-06T11:01:32Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Quatro meses e muita partilha depois, este blog encerra o seu primeiro capítulo. Não sei se voltará a abrir outro, se a história chegará ao fim ou se ficará muito para contar, mas a verdade é que a pausa é urgente. Já há algum tempo que me sussurrava e, agora, tenho mesmo de ceder. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Não queria ir embora sem agradecer o carinho que fui recebendo de tantos de vós. A sinceridade, a verdade, a nudez da alma, o intercâmbio de ideias numa troca de inspirações que foi, diria eu, contínua.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Tive imenso gosto em embarcar nesta experiência! De entrar nas vossas casas sem pedir licença, bisbilhotar nos pensamentos, nos desabafos, nas sugestões e bom humor constante. Conheci formas de pensar diferentes das minhas, tive o privilégio de perceber a tremenda sensibilidade de muitos dos que aqui abrem os seus corações. Identifiquei-me, chorei muito e ri bastante. Uma coleção de emoções indescritível que, em alguns momentos, se tornou um vício e, noutros, o rastilho de uma chama que eu, nem sempre, queria criar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Não há muito mais a dizer. Talvez nos voltemos a cruzar numa outra carruagem. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Até lá, protejam-se e, acima de tudo, sejam felizes! </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:193832020-07-03T12:22:00Se um sorriso pode incomodar muita gente ...2020-07-03T12:12:48Z2020-07-03T12:15:02Z<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri. Para perceberes aqueles que se afastam, pela inveja que não controlam e pelo mal que, mesmo dormidos, tentam oferecer. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri nas palavras que cantas baixinho. Sorri nos amores que guardas contigo. Os que o mundo conheceu e todos os que ninguém sabe que foram vividos. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri às histórias que passaram e aquelas que, hoje, ainda são de ti. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri esperança na rua que atravessas. Sorri aceitação pelas lembranças que mais detestas. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri em silêncio. Ao espelho que te pertence e ao reflexo que deambula entre nós.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"> E mesmo que com medo, não deixes de sorrir. Sorri com o brilho no olhar e com o cabelo de norte perdido. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri com a pele arrepiada, com a alma despenteada. Sorri mesmo que de coração sentido.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri descaradamente. Com a voz intrometida ou engolindo em seco. Mas sorri. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Pelo retorno da vontade que ele te aguça. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Pela escolha que ele te ensina a fazer. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Pelos maldosos que aparta e os verdadeiros que decide acolher.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri entre beijos apressados. Sorri sem pressa no abraço de quem mais te quer. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Caramba, vai sorrindo!</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorrisos inteiros. Passageiros da tua viagem.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri contra o tempo e à medida que o tempo passa. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri na antítese do que o teu corpo precisa.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri como eufemismo da retilineidade que sentes chegar. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sorri de nome próprio. No princípio, no meio e no fim.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Não é ironia. Acredita. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">É preferir, descobrir, aprender e tentar. É rir o dobro do que queres chorar. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">E que o começo de cada dia se paralise na anáfora do sorrir. </span></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Lembra-te que se um sorriso incomoda muita gente</span></strong></span></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">a sua ausência incomoda muito mais. </span></strong></span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:189962020-06-30T13:03:00Às mulheres mães2020-06-30T12:11:10Z2020-06-30T17:42:55Z<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Ela é da cor da Primavera</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">no terraço da vida sentada à espera</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">que a dor do vazio desvaneça</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">e que no mundo talvez aconteça </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">o grito da eterna união. </span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Entre lágrimas de um laço perdido</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">desfeito, porém sentido</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">nasce o sorriso da descoberta. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Aprende-se a sentir o invisível </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">a querer o não possível, e</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">numa janela entreaberta</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">voam certezas pouco certas</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">ficando o cheiro de um p'ra sempre amor.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Na verde esperança de uma nova história</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">crescem dúvidas nas raízes</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">abraçadas ao medo do insistir.</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Do sal que corre no rosto</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">beija-a a curva do acreditar</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">que do ritmo que nela sofreu</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">a natureza há de recriar</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">a existência de um futuro alguém. </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sim, cor de Primavera</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">tal como ela</span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">que de vida se soube mãe.</span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:187202020-06-25T14:56:00Ao sabor da maré, num oceano confinado2020-06-25T14:11:59Z2020-06-25T14:11:59Z<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Há uns tempos escrevi que: "Louco é aquele que num mundo onde reina o descompromisso, insiste abraçar o amor". Nunca esta frase me fez tanto sentido. Mas também nunca me assustou tanto o não encaixe. Entre os que ficam por gostar e os que preferem ir ficando, sem nunca realmente estar. Em sítio nenhum. No coração de ninguém. Laços que surgem como amarras, aos olhos de quem pouco quer investir. Não será isto um contrassenso? Pela força do nó que os separa? </span></p>
<p><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Talvez o medo não esteja no ímpeto do elo, mas no receio de que ele jamais se desfaça. E no que o mundo vê desgraça, esses loucos descobrem o valor de amar. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:186182020-06-22T11:55:00Às vezes não há vida que nos agarre2020-06-22T10:56:20Z2020-06-22T11:01:52Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 460px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="2019-07-cover-suicide_tcm7-258230_w1024_n.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1f173891/21842599_wq63t.jpeg" alt="2019-07-cover-suicide_tcm7-258230_w1024_n.jpg" width="740" height="250" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Não tenho o costume de me pronunciar sobre a vida de ninguém, muito menos quando só conheço aquilo que vejo de fora e que, muitas vezes, como nós sabemos, surge enviesado. Ainda assim, e pela magnitude do que o acontecimento representa, queria deixar-vos algumas palavras. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Artistas também sofrem. Eles e os matemáticos. Os ricos e os pobres. Os negros e os brancos. Numa dicotomia que nada tem de antítese. Não importam as causas, os credos, as raças ou as ideologias. Antes de tudo, são humanos. Somos humanos. E envolvo-me, a mim, a si, a quem me leia, porque, enquanto passageiros desta viagem, todos somos suficientemente frágeis para padecermos. Não se enganem os que julgam impossível passar pelo mesmo. A vida tem essa particularidade de sabermos nada mais que o presente, somente o chão que pisamos. O de hoje. Diferente do passado que já não temos e muito distinto de um futuro ao qual, afinal, nenhum de nós pode afirmar conseguir chegar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">A saúde mental continua a ser desvalorizada, menosprezada, muitas vezes criticada. Porque "tem tudo para ser feliz". Porque "olha à tua volta, vê o que tens e agradece". Porque "há quem esteja muito pior do que tu". Porque "há quem desse o mundo para ter aquilo que tu tens e que não valorizas". Porque, porque, porque ... E no meio de tantas conclusões feitas ao acaso, eu pergunto-me: " E porque não?". "Porque não eu?". "Porque não ela ou ele?". Há demasiados "porques" constatados e poucos que assumem a forma de interrogação. "Porque estás assim?". "O que está a acontecer para te fazer sentir isso?". "O que sentes na verdade?". "Como vês o dia de amanhã?". </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sei que, muitas vezes, não se trata de desinteresse ou despreocupação por quem está de fora. Há pessoas que, imersas na dor, conseguem brotar o maior dos sorrisos, passando despercebido o que vai no mundo de dentro. É mais complexo do que aparenta, mas nem por isso merece menos o nosso cuidado ou atenção. E é por isso que gostaria de vos deixar duas notas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">1 - Aos que conhecem, lidam ou estão próximos de alguém que esteja a atravessar uma fase difícil, a quem notem um olhar empobrecido, um discurso desprovido de esperança, um isolamento invulgar, não invadam, porém não descuidem. Mostrem-se presentes, lá ao lado, com a capacidade de escuta que a pessoa precisa e não aquela que vocês estão dispostos a dar. Uma pessoa que se sinta fragilizada, amargurada, triste, com vontade de desistir, na crença de que nada mais vale a pena, necessita de quem a entenda, de que a ouça sem filtros nem preconceitos, que não atribuam frases tolas na tentativa vã de comparar sofrimentos. Todos somos diferentes, as bases de construção não são as mesmas, e as ferramentas que vão sendo limadas à medida das vivências, para com elas saber lidar, são muito fruto do mundo que conhecemos, da forma como ele nos é/foi apresentado, dos exemplos que aprendemos a seguir. Não se esqueçam: aquilo que acontece no mundo, o mundo inteiro sabe. Aquilo que acontece no nosso mundo, só cada um o conhece. Não há espaço para julgamentos nem estigmas. Abertura, disponibilidade, tempo, carinho, presença, amor e aceitação. A 200%. Sempre. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">2 - Aos que tenham sentido ou que continuem a sentir que não há lugar para o espaço que ocupam, que sempre tenha existido, no vosso interior, uma sensação de descrença por tudo, de não querer, não desejar, um vazio que consome a carne e os sonhos, a força de poder acreditar, peçam ajuda. Se sentirem que não fazem parte, que não se encaixam, que aquilo que estão a atravessar não tem solução e o melhor é acabar com a dor que vos inflama e deixar a alma descansar, peçam ajuda. Qualquer que seja o motivo, peçam ajuda. De um familiar, de um amigo próximo, de um profissional. Falem, desabafem tudo. Pedir ajuda não é nem nunca será sinónimo de fraqueza, antes pelo contrário. É a coragem que emerge do mais profundo, do cansaço extremo, do reerguer para uma nova oportunidade. É colocar no mundo não nosso, o peso que vos encolhe por dentro. Não há medo nem vergonha. Do outro lado terão apoio e abraços de compreensão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">E porque os que conhecem hoje, podem vir a sentir amanhã. Ou porque os que ontem sentiram, podem hoje conhecer alguém, deixo, a ambos, linhas para poderem pedir ajuda num momento mais imediato, onde vos ouvirão e irão orientar-vos. Não importa o vosso nome, a vossa idade ou de onde vêm. Lembrem-se: são humanos. Somos humanos.</span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Linha Jovem -</strong> 800 208 020 </span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Linha LUA - </strong></span><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">800 208 448 </span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Linha SOS Bullying -</strong></span><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"> 808 962 006 </span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">SOS Estudante </strong>– 96 955 45 45 ou 808 200 204 </span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Telefone da amizade </strong>– 228 323 535</span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">S.O.S. Adolescente </strong>- 800 202 484</span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Conversa Amiga –</strong> 808 237 327 </span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Linha SOS Palavra Amiga - </strong> 232 42 42 82 </span></p>
<p style="background: none; margin: 0px; padding: 17px 0px 0px; outline: 0px; border: 0px; text-align: left; color: #939393; text-transform: none; text-indent: 0px; letter-spacing: normal; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 100%; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; text-decoration: none; word-spacing: 0px; vertical-align: top; white-space: normal; orphans: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><strong style="background: none; margin: 0px; padding: 0px; outline: 0px; border: 0px; vertical-align: top;">Centro SOS-Voz Amiga:</strong> ajuda na solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio </span><br /><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Telef.: 21 354 45 45</span><br /><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Telef.: 91 280 26 69 </span><br /><span style="color: #000000; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Telef.: 96 352 46 60 </span><br /><br /><br /><span style="color: #000000;"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:182122020-06-03T09:38:00O amor sem pausas2020-06-03T09:13:44Z2020-06-03T09:19:54Z<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">O amor. Gosto dele, mas não de uma forma qualquer. Gosto de amores artistas, irónicos e antíteses na sua essência. Amores com cheiro entre terra molhada e maresia primaveril. Não gosto de amores extremistas. Gosto de amores humildes. Amores de pé descalço na areia, amores com cor de jacarandá a despontar na liberdade. Pois é, gostos de amores sem idade. Amores que se definem na sua maturidade. Gosto de amores vividos a todos os tempos, num crescendo de mil e uma vontades. Ai se gosto! Gosto mesmo! Gosto tanto, de amores com sabor a pão torrado com manteiga, amores com a mesma esperança de um pôr do sol que se despede no reflexo de um gin por beber. Gosto de amores que se demoram. Gosto de amores de esplanada. Não gosto de amores de discotecas, ávidos de uma única intenção. Não gosto de amores escondidos nem desconhecidos. Não gosto de amores que andam de comboio, que esperam outras horas, tentam novas carruagens, em carris que os levam ao mesmo destino de sempre. Não gosto de amores de sexta-feira, na pressa de ter de qualquer maneira. Não, gosto de amores que duram a semana inteira. Amores que andam a pé, que se perdem nos cruzamentos da cidade, nas construções feitas de granito. Gosto de amores que sabem o padrão da calçada. Amores sem mapa. Que se entregam à aventura, amores que pensam "planear para quê?". Não gosto de amores do "amanhã logo se vê". Gosto de amores que se olham envergonhadamente ainda o sol está por nascer. Gosto de amores que se abraçam numa tarde de tempestade. E de amores que se confortam à luz da lareira acesa. Gosto de amores complexos mas que não complicam. Gosto de amores que invertem os minutos do dia. Amores que conversam toda a noite. Amores que mantêm o beijo apesar do verão perdido. Amores que culminam a entrega na fusão entre duas verdades. Não gosto de amores que saltam etapas, que esperam ter sem nunca dar. Amores que se mascaram para impressionar. Desses não gosto. Gosto do amor. E de amor. Com múltiplas formas, em todas fases da lua. Ah! Esqueci-me! Não gosto de amores indecisos nem de amores que se despedem antes do laço. Gosto de amores que se conhecem à beira-mar. Que na força das ondas, sabem onde insistir e aonde não voltar. Gosto de amores assim. Dos que vivem tão dentro como fora de mim. Não gosto de amores utópicos. Mas gosto de amores com saudade do que nunca tiveram. O amor. Gosto dele contraditório. Ao contrário. Amo amor poético. Não vos contei ... lembrei-me, por falar em saudade, gosto do amor que multiplica quem se percebe só metade. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:179872020-06-02T11:20:00Oxalá o mundo soubesse ...2020-06-02T10:22:56Z2020-06-02T10:23:51Z<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Oxalá o mundo soubesse</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">do violino ladrão de sonhos</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">do saxofone vendedor de sorrisos </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">ao piano doente de amor. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Se ele imaginasse </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">a guitarra envolta em coragem</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">para um contrabaixo somente indiferente.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Ai, mas sei eu que ele não conhece</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">o maestro que adormece </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">antes da hora da sinfonia. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Se na orquestra coubesse </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">a afinação inexperiente, </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">seria a dor a melodia</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">e o ritmo o desconcerto</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">do que habita no avesso de nós. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Oxalá disso o mundo soubesse ...</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:178552020-05-26T12:14:00O que escondem os sorrisos 2020-05-26T11:16:56Z2020-05-26T11:17:38Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 485px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="E36AD387-563B-4C30-A203-272021935513.jpeg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1b17d5f9/21818220_deN2L.jpeg" alt="E36AD387-563B-4C30-A203-272021935513.jpeg" width="720" height="485" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Tantas são as vezes em que o mundo grita por dentro, num mundo outro que gira sem nos pertencer.</span><br /><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Pedidos de socorro que suplicam pela vontade de viver, numa essência frágil e não sentida. </span><br /><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Mas a vida chama, numa voz a que nos fingimos surdos. Porque o vento levaria consigo os remendos feitos à pressa, e o sol tornaria carne viva todas as cicatrizes que ainda tentamos esconder. </span><br /><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Para que nos vejam vestidos, com a compostura de quem é presente. E assim saímos à rua, com as calças feitas de orgulho, camisolas bordadas com a mentira de um olhar feliz. Assentes em sapatos que encontrámos no caminho e fingimos caber em nós. Num sorriso entregamo-nos e, quando regressamos, despimos a esperança, voltando à transparência do que nos contém. </span><br /><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Adoecemos e adormecemos com a lembrança do peso da máscara que insistimos carregar sobre o tudo que não conseguimos fazer existir.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:174372020-05-21T09:10:00A coragem de nunca desistir2020-05-21T08:21:13Z2020-05-21T08:21:13Z<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Vai sempre que o vento te empurre</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Vai sempre que a chuva te atrase.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Se te disserem que sim, vai</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"> e s</span><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">e te disserem que não, volta a ir. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">V</span><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">ai a dobrar.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Há quem ache que não vais conseguir,</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">aqueles que olharão para ti sem a coragem de arriscar</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">e mesmo que não tenhas ninguém a seguir</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">olharás quem te condena de longe,</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">porque quem nega sempre ficará em terra</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">e quem outrora te viu sorrir</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">ficará feliz por te saber voar.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:172932020-05-20T10:17:00Pensamentos diários #62020-05-20T09:32:47Z2020-05-20T09:32:47Z<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><em><img style="width: 32px; height: 32px;" src="https://blogs.sapo.pt/tinymce4/plugins/sapoemoticons/img/SHOW_ONLINE.png" width="32" height="32" />O olhar dos que nos olham, devolvem-nos parte do que somos com muito do que não é de nós. </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;"><em>São espelhos que mentem. Aqueles em que acreditamos. Os únicos onde podemos adoecer. </em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:171342020-05-18T10:50:00Pinturas abstratas2020-05-18T10:06:31Z2020-05-18T10:06:31Z<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Reversíveis são as linhas que não escrevo</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">as que surgem sombrias</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">além do presente,</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">num hoje de silhueta vincada</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">distante do que há de crescer.</span></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Entre caminhos que vão</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">e que voltam</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">de onde vim,</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">num todo fingidamente transparente</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">em consciência carbonizado.</span></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">São minhas estas formas sem margens</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">de limites ironicamente difusos </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">perdidos num qualquer espaço e</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">em tempos que são tudo</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">aceitei-me ser menos que nada.</span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:167572020-05-16T11:40:00A radicalidade do feminismo2020-05-16T11:24:48Z2020-05-16T19:27:12Z<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Será que conhecemos o verdadeiro significado do que é ser feminista? E as atitudes radicais surgem intencionalmente ou por desconhecimento do tudo quanto alberga a sua definição?</span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Este é um tema que muito tem sido abordado, que muito tem sido criticado, chegando a dividir as próprias mulheres. Sempre me perguntei ... porquê? Haverá, efetivamente, um extremismo propositado na defesa dos direitos que a elas pertencem? E este, estando presente, em que medida decorre da crença nestas falácias? Porquê a expressão de desdém sempre que esta palavra vem à baila?</span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Feminismo e machismo embora possam, à partida, parecer antónimos, não o são. Poder e dominação encontram-se de costas voltadas com a igualdade, a equidade. Digam o que disserem, a desigualdade ainda está presente. Tem-se vindo a dissolver aos poucos, mas o trabalho pela frente é imenso. </span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Os manifestos não ambicionam a superioridade da mulher sobre o homem. Eu gosto muito dos homens, mas entristece-me que, muitas vezes, as mulheres tenham que se esforçar o dobro e o triplo para que possam alcançar semelhantes oportunidades. Porque carregam esse título, que é desejável para muita coisa, porém, ao mesmo tempo, sinónimo de fragilidade, de fraqueza, de inferioridade. Aborrece-me que as mulheres (aquelas que o fazem, claro) tenham de pensar no que vão dizer, em como se vão vestir, a forma como agem. Há as que se estão nas tintas e, a meu ver, muito bem, embora não por isso se livrem de julgamentos, ofensas ou discriminações. Tanto por parte de homens como de outras mulheres. Para quê? Com que intuito?</span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Não, as mulheres não querem dominar o mundo (pelo menos, não à custa de ódio ou de dizimação da classe masculina) nem ser inimigas dos homens. Não, as mulheres feministas não são necessariamente menos femininas. Não, não são só as mulheres que são feministas. Há homens feministas e mulheres machistas. Não depende do género mas das ideias que defendem e das convicções em que acreditam. </span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Perdoem-me mas chateiam-me as pessoas que assumem as opiniões que têm de um modo revolucionário. Quaisquer que elas sejam. Que é tudo ou não é nada. Que vão além de lutar pelos seus direitos, menosprezando os outros, inferiorizando, quase que numa tentativa de machismo inverso, subordinando os homens às mulheres. Caramba! É assim tão difícil perceber que, sim, somos diferentes mas que essa diferença não significa que uns possam e os outros não? Antes pelo contrário, implica reconhecer que, na diferença, os contributos podem ser distintos, contudo, de valor idênticos. Que exista uma paridade no reconhecimento das competências, dos potenciais, das capacidades. Que exista dignidade no trato. Uma consciencialização e um apelo ao equilíbrio, sem fundamentalismos nem rivalidades. </span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Não é, nem nunca foi, uma questão de supremacia do mundo feminino, chutando para canto os homens num intento fracassado de subjugação. É sim autonomia e liberdade. De ser, de ter, de lá chegar. Com o mesmo trabalho, o mesmo empenho, a mesma exigência. Sem diminuir os critérios nem afastar a meta. Não é uma guerra. Talvez um confronto. Para que se abanem mentalidades e conceções. Um protesto para que se escutem as vozes. Cientes da importância de contrariar o que se pretende oprimir. Cientes também de um caminho que deve ser feito o mais distante possível da extravagância do que é, e sempre será, excessivo. </span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Caramba! Desculpem-me o palavrão mas...</span></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 420px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="4eb352df56fe627f7d676316bf217f70--quote-feminism-e" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G37180103/21809852_LzMF9.jpeg" alt="4eb352df56fe627f7d676316bf217f70--quote-feminism-e" width="236" height="605" /></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:165782020-05-14T09:01:00Mentes quadradas e o papel da educação2020-05-14T10:17:54Z2020-05-14T11:49:17Z<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Sabem? Gosto de pessoas. Gosto muito. Gosto de ideias. Muito também. E adoro pessoas com ideias. Não ideias roubadas pela preguiça de ir mais além, muito menos ideias que são assumidas sem que se use o filtro da relevância, da sensatez, da criatividade, da reflexão e criticidade. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Nos meus tempos de aluna na escola, perguntava-me frequentemente sobre a importância, ou mesmo a utilidade, dos conteúdos aprendidos. O porquê de termos de saber os constituintes da estrutura interna do planeta Terra, mas de nunca termos sido ensinados a pensar sobre diversas formas de arte. Atenção, não quero que os professores de Geologia me interpretem mal pois, apesar de não ser uma área que me cative particularmente, entendo a importância da assimilação para a bagagem da cultura geral. Mas onde quero chegar, e claramente faltei às aulas de Português sobre a capacidade de síntese, prende-se com a forma como as matérias são transmitidas, o modo como ocorre o processo de aprendizagem que, à primeira vista pode repercutir-se apenas nos resultados das avaliações, porém, e no meu entender, terá os seus verdadeiros efeitos mais à frente, na maneira de estar, de perspetivar, de olhar para as coisas e ser capaz de as analisar com um suporte suficientemente sólido que não permita que elas se desfaçam num simples confronto de entendimentos divergentes. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Vai muito mais longe que as noções, as definições, as representações, as histórias. Eu não sou professora, sei que o que disser poderá pecar por uma generalização injusta e enviesada da realidade, contudo, enquanto estudante que fui e na minha experiência como tal, considero que as falhas não estão no imenso conhecimento que muitos professores possuem, mas na forma como o fazem chegar a uma turma, e a cada aluno individualmente. Falta (ou faltava na altura) o debate, o frente-a-frente, o colocar as crianças e os miúdos em situações do dia-a-dia, em que perante um tema, um assunto (relacionado com uma dada temática), se apresentam opiniões, pontos de vista, se aprende a justificá-los, a contra argumentá-los, a defendê-los quando o pensamento pessoal o acha fundamental, mas também a ajustá-lo, com vista a encaixar outras ideias que façam igual sentido. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Isto porquê? Porque são muitas as pessoas adultas que não têm esta capacidade de encaixe, de adaptação, de ouvir o outro e de continuar amigo dele mesmo que tenha uma compreensão diferente da sua. Tal acontece no meu meio, mas também em muitos programas televisivos a que assisto, e nos quais o debate constitui tanto o ponto de partida como o de chegada. Por isso, pergunto-vos...em que momento acham que se constrói esse respeito e tolerância? São criados numa etapa crucial da vida ou é algo maleável e que pode ser adquirido num qualquer momento mesmo que, a priori, estivesse ausente? O que pensam disto?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Na minha opinião, existe, sim, um período crítico para a aquisição dessas qualidades e para a consolidação das mesmas na personalidade. Não que não possa ser mudado, porém, à medida que a maturidade aumenta e que se alarga a consciência do que é do próprio e do que é alheio, considero surgir uma inflexibilidade que dificulta que, por exemplo, uma intolerância existente seja substituída pela aceitação do que não vemos como alinhado com as nossas crenças e ideais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Vou recuar ligeiramente. Um estudo realizado pelo Centro Médico de Einstein, EUA, a respeito da idade com que as crianças começam a utilizar dispositivos eletrónicos, os resultados demonstraram um intervalo entre os 6 meses e os 4 anos. Para além disto, e decorrente das perguntas que constavam no questionário, os investigadores conseguiram determinar que cerca de 30% dos pais permitiam e incentivavam que as crianças usassem este tipo de dispositivos para adormecerem. 6 meses? Antes de adormecerem? Li mal, acho eu. Só pode. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Mas será que este uso excessivo de telemóveis, tablets e outros bens da mesma família, leva ao afunilamento das perspetivas individuais? Em primeiro lugar, diminui o contacto humano, o que, em última instância, empobrece a inteligência emocional. Já dizia o especialista Daniel Goleman que este abuso de utilização enfraquece a capacidade de introspeção e autoconhecimento. Há quem lhe chame a geração dos "bebés smartphones". E os que não são bebés? Porque este problema não é de agora. É certo que começam cada vez mais cedo, mas a frequência e regularidade com que usam os mais velhos tem vindo a crescer exponencialmente. Estará tudo isto relacionado? É uma suposição apenas, não tem qualquer fundamentação teórica nem científica, no entanto especulo sobre a eventual associação. Será?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Crianças e adolescentes que passam demasiado tempo nos meios digitais e redes sociais, para além das perturbações de sono, ansiedade, sociabilidade e afins, passam menos tempo a conversar, a discutir ideias, a escutar ideias, a aprender a ver o mundo de uma outra forma, de um ângulo talvez diferente. Não mais acertado, não necessariamente mais viável. Apenas diferente. Falta o contacto com o outro para que se consolide o respeito e a aceitação. E na escola? Os miúdos de hoje convivem nos intervalos, brincam, correm uns atrás dos outros, namoram, jogam à bola, ou mostram aos amigos a influencer "X" e o youtuber "Y"? Jogam o Minecraft e o Fortnite e explicam as estratégias uns aos outros? E elas, mostram às amigas o rapaz giro que, na noite passada, as seguiu no Instagram? E não, não há cá estereótipos de género...por mim as raparigas podem andar aos tiros na playstation e os rapazes podem ver tutoriais de maquilhagem se acharem isso interessante ... sem que tal signifique nada a seu respeito, nem de um nem de outro (mas isso era tema para outro post!). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Que quando tenham 20 anos e quiserem passar 15h agarrados ao ecrã a ver tudo e mais alguma coisa, sem consumir absolutamente nada, é uma opção deles. Os pais poderão intervir mas continua a ser uma opção deles, a partir do momento em que tiverem um dispositivo na mão. O controlo é sempre possível, mas é mais complicado. Quando são mais novos, a tarefa talvez possa ser mais fácil. Ainda não têm a consciência do mundo real, do que se passa à volta deles, as escolhas passam muito pelas escolhas dos pais, pelo exemplo que eles dão, pelo que recomendam e aconselham. E se os pais deixarem os seus próprios telemóveis de lado e arranjarem tempo para brincar com a miudagem, se os deixarem longe da mesa (<strong>por favor! não comam com os telemóveis perto nem a ver as notificações constantemente!</strong>), é esse o exemplo que eles vão ter em casa, desde cedo, que vão assimilar, que vão tentar reproduzir noutros cenários (sala de aula inclusive) e que, aos poucos, vão interiorizando para si mesmos, para aquilo que querem e aquilo em que acreditam. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Troquem as redes sociais pela conversa. Vão incutindo a importância de ver as notícias, de saber filtrar e interpretar aquilo em que se deve acreditar e tudo o que soa a falso. Peguem em temas da atualidade e discutam-nos à mesa. É óbvio que o debate terá de estar de acordo com o desenvolvimento cognitivo da(s) criança(s) em causa e não introduzir Nietzsche perante um ser com 5 anos. Mas façam-no! Tenham tema de conversa, pode ser sobre o dia na escola, o que aprenderam a matemática, a atitude do Manuel que bateu no João, ou o Diogo que levantou a saia à Carolina. Transportem esses acontecimentos que, provavelmente no contexto em que ocorreram foram inofensivos e sem intenções pensadamente maliciosas, para cenários realistas que acontecem no quotidiano. Procurem saber a opinião do(a) vosso(a) filho(a) sobre o assunto, a razão de ele pensar de determinada forma, dêem-lhe o vosso ponto de vista e façam-no pensar. Incutam neles a capacidade de reflexão e de ponderação, antes de argumentarem e no confronto com um argumento que não converge com a opinião que têm do tema. Aos poucos, essas sementes vão lá ficando. E é um ciclo que se auto alimenta. Alguém que gosta de pensar, de perceber as suas ideias, procura informação, cultiva-se, depara-se com outros pontos de vista, uns coincidentes, outros completamente ao lado daquilo em que acreditam, e isso leva a refletir novamente, a pensar, a perceber o que faz sentido e até pode ser aceite, e aquilo que não tem nexo e que, por isso, não merece concordância. <strong>E sempre, mas sempre, discordando ou não, aceitando ou não, o respeito tem de estar lá. </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Na escola, seria importante que os professores fizessem igual. Que esse estímulo fosse colocado no decorrer das aulas, pelo desafio de ouvir e adquirir, mas também de pensar, de questionar, de procurar saber mais, de tentar entender o porquê de ser assim. Porque não assado? Eu falo estando completamente às escuras sobre o desenrolar habitual das atividades letivas, mas, dos testemunhos que vou tendo, o processo continua a ser o convencional: "sentar, abrir o caderno, escrever o que se vai ouvindo, ler os slides, tirar dúvidas, fazer os exercícios propostos, corrigir, discutir, passar os trabalhos de casa e até à próxima aula". </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Abrir as nossas mentes depende de nós. Abrir as dos outros também pode depender de nós. Não formatar cabeças para que pensem como nós queremos ou como acreditamos estar certo, mas para que tenham a habilidade de perceber que o que é certo para um não é certo para outro, e que o facto de haver um certo diferente do meu, não significa que o meu certo seja errado ou que o certo do outro seja menos certo. São certos diferentes e estão errados na mesma medida. Isto é tão importante, porque abre caminho a que se desfaçam estereótipos, a que se desconstruam preconceitos, a que se aceite a diferença como diferença e não como inferioridade ou insignificância. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Eu gostava, mas gostava mesmo, de olhar para as gerações mais novas e perceber como elas vêm interrogar-se sobre tudo. Como se interessam por debates políticos e são capazes de se posicionar tendo em conta as suas convicções e não por ser o partido A, B ou o "raio que o parta". Gente que se interessa pelo que acontece cá dentro e lá fora, que ouve várias fontes e que constrói uma ideia. Malta que vê os Prós e Contras e que, mesmo do sofá, pensa em formas giras e originais de dar resposta ao problema do que está a ser discutido em cima da mesa. Pessoas que aprendem a pensar, que apreciam fazê-lo, que são curiosas, desenrascadas, tolerantes, respeitadoras, compreensivas. Que se despem de construtos pré-concebidos, de intransigências e de arrogâncias. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">Gostava tanto. E não perdi a esperança. De que sejamos rodeados por mentes cujos lados não se tocam, mentes que se contorcem de tanto matutar. Mentes que devaneiam, que sentem, que se exprimem e manifestam. Mentes irregulares. Daquelas sem ângulos. Vivos nem mortos. Que são uma linha disponível para ser pintada de qualquer cor, em qualquer direção. Não ao sabor da maré, mas que, mesmo sabendo o pulso do vento, mesmo apesar da turbulência, se aventuram na arte de bolinar. </span></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 584px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="sem nome.png" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B381833c5/21807680_fhemZ.png" alt="sem nome.png" width="960" height="393" /></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:amorliquido:161492020-05-13T10:17:00Para bom entendedor ... 2020-05-13T09:21:56Z2020-05-13T09:21:56Z<p><span style="color: #333333; font-family: times new roman,times,serif; font-size: 12pt;">... meia palavra basta! </span></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 534px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" title="38472f66-4cde-415b-8c21-5dd0936523b8.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1b17aa26/21806552_97zb4.jpeg" alt="38472f66-4cde-415b-8c21-5dd0936523b8.JPG" width="721" height="533" /></p>
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