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A radicalidade do feminismo

por amorlíquido, em 16.05.20

Será que conhecemos o verdadeiro significado do que é ser feminista? E as atitudes radicais surgem intencionalmente ou por desconhecimento do tudo quanto alberga a sua definição?

Este é um tema que muito tem sido abordado, que muito tem sido criticado, chegando a dividir as próprias mulheres. Sempre me perguntei ... porquê? Haverá, efetivamente, um extremismo propositado na defesa dos direitos que a elas pertencem? E este, estando presente, em que medida decorre da crença nestas falácias? Porquê a expressão de desdém sempre que esta palavra vem à baila?

Feminismo e machismo embora possam, à partida, parecer antónimos, não o são. Poder e dominação encontram-se de costas voltadas com a igualdade, a equidade. Digam o que disserem, a desigualdade ainda está presente. Tem-se vindo a dissolver aos poucos, mas o trabalho pela frente é imenso.

Os manifestos não ambicionam a superioridade da mulher sobre o homem. Eu gosto muito dos homens, mas entristece-me que, muitas vezes, as mulheres tenham que se esforçar o dobro e o triplo para que possam alcançar semelhantes oportunidades. Porque carregam esse título, que é desejável para muita coisa, porém, ao mesmo tempo, sinónimo de fragilidade, de fraqueza, de inferioridade. Aborrece-me que as mulheres (aquelas que o fazem, claro) tenham de pensar no que vão dizer, em como se vão vestir, a forma como agem. Há as que se estão nas tintas e, a meu ver, muito bem, embora não por isso se livrem de julgamentos, ofensas ou discriminações. Tanto por parte de homens como de outras mulheres. Para quê? Com que intuito?

Não, as mulheres não querem dominar o mundo (pelo menos, não à custa de ódio ou de dizimação da classe masculina) nem ser inimigas dos homens. Não, as mulheres feministas não são necessariamente menos femininas. Não, não são só as mulheres que são feministas. Há homens feministas e mulheres machistas. Não depende do género mas das ideias que defendem e das convicções em que acreditam. 

Perdoem-me mas chateiam-me as pessoas que assumem as opiniões que têm de um modo revolucionário. Quaisquer que elas sejam. Que é tudo ou não é nada. Que vão além de lutar pelos seus direitos, menosprezando os outros, inferiorizando, quase que numa tentativa de machismo inverso, subordinando os homens às mulheres. Caramba! É assim tão difícil perceber que, sim, somos diferentes mas que essa diferença não significa que uns possam e os outros não? Antes pelo contrário, implica reconhecer que, na diferença, os contributos podem ser distintos, contudo, de valor idênticos. Que exista uma paridade no reconhecimento das competências, dos potenciais, das capacidades. Que exista dignidade no trato. Uma consciencialização e um apelo ao equilíbrio, sem fundamentalismos nem rivalidades. 

Não é, nem nunca foi, uma questão de supremacia do mundo feminino, chutando para canto os homens num intento fracassado de subjugação. É sim autonomia e liberdade. De ser, de ter, de lá chegar. Com o mesmo trabalho, o mesmo empenho, a mesma exigência. Sem diminuir os critérios nem afastar a meta. Não é uma guerra. Talvez um confronto. Para que se abanem mentalidades e conceções. Um protesto para que se escutem as vozes. Cientes da importância de contrariar o que se pretende oprimir. Cientes também de um caminho que deve ser feito o mais distante possível da extravagância do que é, e sempre será, excessivo. 

Caramba! Desculpem-me o palavrão mas...

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4 comentários

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kir@ a 16.05.2020

Boa noite , amei o seu blogue, entendo o que diz e concordo com as suas palavras.
Vivemos num seculo em que a liberdade é declarada, mas não é bem assim, pois ainda existem muitas pessoas a sofrerem com a descriminação e mentes fechadas.
Há homens que ainda maltratam as mulheres, e há mulheres que cada vez mais desprezam a sua dignidade para se acharem mais forte que os homens.
Vivemos num mundo cada vez mais louco, em que é importante refletir em palavras como as que escreveu aqui no blogue.
Somos todos diferentes, mas ao mesmo tempo todos iguais, por isso todos merecemos ser respeitados.

Atenciosamente kir@
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amorlíquido a 18.05.2020

Olá Kir@, muito obrigada pela sua visita e pelo seu comentário.
Tem razão em tudo o que disse e, infelizmente, ainda existe um longo percurso a ser feito no que toca a este tema. Acredito que o tempo colocará algumas coisas no seu lugar.

Uma boa semana
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Emma a 18.05.2020

Isto é um tema complicado para mim. Se ser feminista é o que escreveste então sou mas não gosto da palavra. Preferia que fosse igualdade, eu não quero ter aceso a algo porque sou mulher ou não ter por ser mulher. Quero como dizes algo porque o mereci de alguma forma, especialmente na mundo profissional. Mas não me consigo rever em pessoas como a Rita Ferro Rodrigues, nem tudo é uma guerra, nem tudo precisa de ser criticado porque nem tudo tem maldade e o mundo está a aprender a adaptar-se a muita coisa, seja o feminismo, seja a identidade de género. E é o fazer de tudo uma guerra e não uma fonte de aprendizagem que me afasta das feministas que se vêem por aí.
Vejo/leio poucas feministas que escrevem como tu escreveste. Eu não peço feminismo, peço respeito e igualdade (:
Não sei se ficou confuso ou me fiz entender mas espero que sim.
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amorlíquido a 18.05.2020

Olá Emma! Sim, fizeste-te entender e, antes de mais, agradeço a tua partilha.
Eu também não gosto da palavra "feminismo", principalmente porque muitos associam como sendo o contrário de "machismo" quando, na verdade, não o é.
Como tu, e acredito que muita gente, sejam homens ou mulheres, sou defensora de que todas as pessoas devem ter direitos idênticos, da mesma forma que os deveres são, na maioria dos casos, exigidos por igual. E isto aplica-se a esferas muito mais alargadas que somente as igualdades de género.
Não sou apologista de guerras e, apesar de respeitar essas opiniões, tento fugir de quem é extremista na forma de argumentar as suas ideias, seja para o lado positivo ou negativo, para a esquerda ou para a direita.
Há "protestos" que não deveriam sequer existir porque há princípios basilares que não merecem questionados. É um caminho. Havemos de lá chegar. Sem guerras nem fogo de artifício.
Apenas com equilíbrio.

Obrigada pela visita. Uma boa noite

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