Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Faz o que eu digo, mas ...

por amorlíquido, em 22.09.20

Utilize a força com que veste os outros do seu preconceito 

para se despir da sua não-verdade 

e lembre-se

de nada vale julgar quem tem os botões descosidos 

quando tantas vezes andamos com os atacadores desapertados.

Autoria e outros dados (tags, etc)

All you need is love

por amorlíquido, em 19.09.20

Dois séculos num século apenas. O antes e o depois de um tempo interrompido. Para nós, gente que sente, sem que nenhuma pausa se impusesse no todo que julgamos nosso, tão finito quanto imperfeito.

Duas metades de uma só história ainda presente. Antes e depois de uma guerra na qual todos somos guerreiros, contra um inimigo que não se vê.

Um hiato na celeridade que incutíamos aos nossos dias, sem abrandar o ritmo frenético de uma mente e corpo cansados, com medo de que qualquer atraso colocasse em dúvida o sentido desta existência. Nesse fosso entre terra pouco firme e a certeza da constância de um abismo, à ausência do outro trocámo-la pela ponte com a lua cheia. À noite outrora indiferente pelo receio de fragilidades desmascaradas, fizemos do sol o holofote do palco onde sempre nos movemos, recusando a frieza e insegurança de que qualquer soldado também sempre fará parte.

Até que o mundo parou sem que a materialidade que tentamos atribuir ao tempo ficasse suspensa num grito mudo sobre a impossibilidade de um “amanhã logo se vê”. E enquanto esta orgânica sobranceria se prolongou entre paredes repetidamente confidentes, as taquicardias de uma natureza doente conheceram o embrandecer da cadência essa que, não pertencendo, nos mantém vivos. Sóbrios, porém distantes. De proteger o que nos dá chão.

A distância. Uma dimensão entre dois polos que divergem do vazio que o caminho cria, em direções opostas, mesmo que o espaço do estar permaneça constante. O presumidamente insubstituível viu-se em monólogos com lugares até então desconhecidos, e o pouco valor ao alimento da alma, tantas vezes despido e abandonado, matou-nos a fome durante meses.

Desta segunda metade sobra-nos a prepotência disfarçada de ignorância, a consciência de que as diferenças de classe mantêm à tona a igualdade que nenhuma fortuna será capaz de diferenciar. Resta-nos a certeza de que o conhecimento nos aproxima da verdade, que há informação que nos oferece rasteiras à tentativa do seu encontro. Ficamos com a convicção do pouco que ocupamos para o tanto que continua a ser preocupação, e do muito que somos para os nossos de coração. Façam-se disrupções silenciosas ou torne-se sangue o descontentamento que dentro nos afervora. Guardamos, sim, a crença de que embora o amor nos embriague e tantas vezes nos despiste em aventuras “para lado nenhum”, será sempre o antídoto da angústia alheia e a vacina contra a vontade, por vezes própria, do finalmente deixar de ser.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D